Militante político, primeiramente de Ação Popular, depois do Partido Comunista Francês, este relato não resvala para a auto-exaltação nem para as famosas autocríticas.
Apenas constitui o relato de uma vida, tendo como fio condutor a busca de sentido existencial.
Busca de sentido feita por um jovem que se torna adulto, apesar de seus medos e fantasmas, em tempos sombrios, – busca essa, não obstante, marcada pela esperança.
Ele percorre o itinerário do deserto, mas com a crença na idéia generosa do socialismo, na utopia (?) de uma vida mais digna, o que vale dizer, mais humana para todos.
Sonhos, medos e perplexidades se misturam desde a tenra infância e acompanham o autor durante seu trajeto, onde perigos o espreitam como quem anda à beira de um abismo.
De uma forma ou de outra, essa experiência transcende a individualidade, é um fenômeno social e político vivido por todos quantos se engajaram na década de sessenta nos embates em favor da liberdade, da justiça social e do restabelecimento da democracia em nosso país.
Época em que as convenções eram quebradas e novas formas de relações intersubjetivas eram almejadas, um novo tipo de sociedade mais fraterna e igualitária, com a redefinição de novos papéis tanto para os homens quanto para as mulheres, que reivindicavam, estas últimas, a justo título, um reconhecimento cada vez maior na sociedade.
Mas não se trata só da esperança e da utopia, mas igualmente da decepção diante do sonho não realizado, ao fim e ao cabo, devido aos limites da própria condição humana.
Este livro traz revelações inéditas sobre os bastidores da luta estudantil e perfis que podem chocar àqueles que idealizam a figura do “revolucionário” ou do comunista tido como “santo e mártir” de uma nova causa
A infância nos remete para o Ateneu, de Raul Pompéia, com as agruras por que passam todos os jovens no ambiente escolar e familiar.
É um livro de nuances, escrito em um estilo simples e geralmente poético
Como afirma o próprio autor, “O mundo e a mente são feitos de luz e sombra e de suas gradações.
No final do tempo do absurdo, em que não haverá mais fantasmas nem loucura, seremos de novo poeira de estrelas.
Poeira de estrelas com sede do Absoluto.”