Helena Rivelli
Publicado por Digital Books Editora Ltda ME
Tendo como norte a Teoria da Argumentação de Chaïm Perelman, refletimos sobre como aspectos da cultura científica foram determinantes para a assepsia linguística vivenciada hoje na ciência, se tornando também responsável pela distância entre os discursos da sala de aula.
A argumentação oferece um contraponto à demonstração asséptica e a analogia surge como um recurso argumentativo capaz de diminuir esse afastamento, uma vez que se apoia em conhecimentos prévios para que novos conceitos sejam apreendidos.
Através da entrevista dialógica e da observação mediada, instrumentos elaborados à luz da pesquisa qualitativa com enfoque histórico-cultural, a análise nos permite afirmar que os professores não têm conhecimento aprofundado sobre o tema, ignorando a existência de fases que regem o uso da aproximação analógica como instrumento de ensino.
Nas analogias propostas, o mapeamento de semelhanças e diferenças foi subutilizado, desprezando a ideia de que o consenso é a chave para a criação da relação entre foro e tema.
Desconsiderada a complexidade dessa ferramenta argumentativa, a superação da analogia e consequente abstração dos conceitos científicos passam a constituir tarefa exclusiva dos alunos e, por isso, incerta.
A escassez de situações em que a analogia realmente constituiu recurso fértil para a aprendizagem provém do próprio modo como o professor se relaciona com seu discurso, o discurso dos alunos e os recursos de ensino, refletindo sua concepção de ciência e educação em Ciências.