Publicado originalmente em 1967, o romance Pessach: a travessia tornou-se um marco na obra de Carlos Heitor Cony.
Publicado nos anos de chumbo da ditadura militar brasileira, ajuda a compreender os principais dilemas e estratégias políticas da esquerda no Brasil dos anos 60 e 70, através da história de Paulo Simões, um escritor carioca burguês e bem-sucedido que, aos 40 anos, vê sua vida mudar por completo.
O ano é 1966 e o protagonista acaba de completar quatro as décadas de vida.
Vive sozinho, a filha estuda num colégio interno e seus livros têm um bom resultado de vendas.
De origem judaica, parece negar suas raízes.
E também não se envolve com política; prefere assinar, no máximo, manifestos para libertar presos políticos.
Mas, nesse dia, sua vida irá mudar radicalmente.
O escritor recebe a visita de um antigo amigo, acompanhado de uma mulher calada e misteriosa, que tenta convencê-lo a entrar na luta armada.
Paulo Simões se nega a tomar qualquer posição e quase os expulsa de sua casa.
Em pouco tempo, porém, ele se verá transformado em um novo homem, e seu destino, até então previsível, ficará mais incerto a cada dia.
“Pessach: a travessia” é também uma analogia da libertação bíblica do povo judeu, ao fugir do Antigo Egito e da escravidão.
Paulo, que rejeitava suas origens e não se posicionava politicamente, se verá transformado em um homem engajado de todas as formas.