Fato curioso.
Neste romance, em particular, a narrativa provém, em uma ou outra ocasião, da subjetividade de certos personagens.
Em alguns casos os mesmos acontecimentos são narrados por mais de uma vez, de cada vez por um personagem diferente.
Diversificam-se os pontos de vista.
Circunstância também inusitada, na minha literatura.
Alguns personagens são oriundos de outro romance, este, sim, policial, “Cada pobre uma tragédia anunciada”, um lindo e empolgante romance policial que meus leitores, que são, aproximadamente, nenhum não sabem o que estão perdendo.
São os mesmos seres humanos, não mudam de nome e contam as mesmas estórias do mencionado romance policial.
E meu estilo não muda.
Considero irrelevante a descrição física muito pormenorizada dos personagens e também dos lugares, os ambientes, ao ar livre ou dentro das casas – aliás dou mais importância ao ar livre do que ao interior das residências, e não suporto banco e escritório.
Sob este aspecto, Shakespeare escreve igualzinho a mim, não liga a mínima para a descrição física dos personagens e dos ambientes, há pouco espaço para o ar livre na dramaturgia dele, uma vez que Shakespeare é só teatro.
Viveu entre os séculos 16 e 17 e até hoje suas frases de efeito são citadas, é uma atrás da outra na obra dele, que é magnífica.
Já leu Shakespeare?
Precisa.
“Nunca é suave o curso do verdadeiro amor”, disse Shakespeare.