Abah Andrade
Publicado por Editora Cajuína
O que acontece quando um filósofo escuta em profundidade a música e adentra a letra de canções populares tão queridas por gerações de adoradores de MPB?
E o que acontece quando essas canções são de ninguém menos que Belchior?
O encontro entre arte e pensamento é um acontecimento notável no cenário intelectual contemporâneo, quando se descobre que nem filosofia tem algo a ver com autoajuda pincelada com duvidoso saber filosófico nem a canção de Belchior tem a ver com divertimento barato.
Aqui Belchior é levado a sério, tanto quanto a prática viva de uma filosofia nascente é levada a termo com a intenção de levantar véus e fazer pensar para além das aparências.
Não é só o capitalismo contemporâneo que é visado em suas entranhas, mas também certas ideias recebidas que são destroçadas em sua suposição de serem "críticas", para que uma crítica ainda mais radical seja sugerida, baldeando o lugar-comum e fazendo pensar para além das opiniões assentadas.
Aqui tudo é novo, sem que a novidade constitua em desapreço pelo conhecimento erudito da tradição intelectual do Ocidente.
Ao contrário, é porque parte dessa tradição que o novo, em confronto com ela, pode surgir para fazer com que o leitor – sujeito de sorte – possa sacudir preconceitos e repensar posturas para além da agenda maniqueísta imposta pelas mídias, das menores às mais avultosas.
Quem ler este pequeno livro até o fim, como aliás acontece com todo leitor de grandes obras, não será mais o mesmo.
Saberá, no mínimo, que, sem alarde, o Brasil aprendeu a fazer filosofia para além das monografias sobre autores consagrados.